Ruído no trabalho: quando avaliar e medir
Saiba quando avaliar o ruído no trabalho, o que significam os valores legais e como preparar uma medição, com imagens da equipa Medisigma na Sofalca.
Uma máquina pode parecer pouco ruidosa e, ainda assim, justificar uma avaliação da exposição de quem passa várias horas junto dela. Para perceber o risco, é preciso conhecer as tarefas, o tempo de exposição e os níveis de ruído ao longo do trabalho.
Este texto explica quando avaliar o ruído no trabalho, como se fazem as medições e o que a empresa deve preparar. O vídeo da equipa Medisigma na Sofalca mostra um exemplo de avaliação no terreno.
Quando é necessário avaliar e medir o ruído?
O Decreto-Lei n.º 182/2006 determina que, nas atividades suscetíveis de apresentar riscos de exposição ao ruído, o empregador deve avaliar e, se necessário, medir essa exposição.
Máquinas, ferramentas de impacto ou várias fontes de ruído em simultâneo justificam atenção na avaliação de riscos. A decisão sobre as medições deve considerar as condições reais de trabalho, incluindo a duração das tarefas e a proximidade dos trabalhadores às fontes. Uma aplicação no telemóvel não substitui uma avaliação técnica com equipamento e métodos adequados.
O que significam os 80, 85 e 87 dB(A)?
Para a exposição pessoal diária, referida a um período de oito horas, a legislação estabelece três patamares distintos:
- 80 dB(A): valor de ação inferior. Quando é ultrapassado, devem ser disponibilizados protetores auditivos aos trabalhadores.
- 85 dB(A): valor de ação superior. Quando é atingido ou ultrapassado, a utilização de protetores auditivos é obrigatória.
- 87 dB(A): valor limite de exposição. Não pode ser ultrapassado; a sua verificação considera a atenuação dos protetores auditivos.
Os valores de ação são avaliados sem descontar a proteção dos protetores. Existem também valores para os picos de pressão sonora: 135, 137 e 140 dB(C), respetivamente. Estes indicadores exigem interpretação técnica; uma leitura pontual junto de uma máquina não equivale à exposição diária de um trabalhador.
Como se faz uma avaliação de ruído no trabalho?
O levantamento começa pelas tarefas, equipamentos, trabalhadores expostos e tempo passado em cada situação. As medições devem representar a atividade habitual, podendo recorrer a um sonómetro ou a um dosímetro, conforme o método adequado para cada caso.
O equipamento é verificado com um calibrador acústico antes e depois das medições. Os resultados são depois relacionados com os tempos de exposição, considerando a incerteza da medição, para orientar as medidas de prevenção. A avaliação deve abranger todas as situações de trabalho suscetíveis de expor os trabalhadores a níveis de ruído significativos.
Na Sofalca, em Bemposta, Abrantes, a equipa Medisigma mostra o equipamento e explica este trabalho. As imagens ilustram a avaliação; não apresentam uma conclusão sobre os níveis de exposição da empresa.


Ler transcrição
Nem todo o ruído que ouvimos representa o mesmo risco, por isso é importante medir. Hoje estamos na Sofalca para realizar uma avaliação de exposição ao ruído. Com equipamento específico, medimos o nível de ruído a que o trabalhador está exposto. Esta avaliação permite entender o quão o trabalhador está exposto ao ruído no seu trabalho e quais são as medidas necessárias a tomar. Porque antes de prevenir um risco, é preciso conhecê-lo.
O que fazer para reduzir a exposição?
A prevenção começa pela redução do ruído na origem. A manutenção das máquinas, a escolha de equipamentos menos ruidosos e as soluções de isolamento ou separação das fontes são medidas a estudar. A organização das tarefas e a limitação do tempo de exposição também podem ser necessárias.
Os protetores auditivos devem ser adequados ao risco e usados corretamente. A sua distribuição não dispensa medidas técnicas e organizacionais. Os resultados da avaliação devem ainda apoiar a informação dos trabalhadores e a vigilância da saúde, articulada com a medicina do trabalho.
É preciso repetir a avaliação todos os anos?
A avaliação deve ser atualizada quando existam alterações significativas nas instalações, equipamentos ou processos, ou quando os resultados da vigilância da saúde o justifiquem.
Há uma regra específica: quando é atingido ou ultrapassado o valor de ação superior, a avaliação deve realizar-se pelo menos uma vez por ano. Não existe, neste diploma, uma obrigação anual igual para todas as empresas, independentemente do risco.
Como preparar a visita à empresa
Antes da avaliação, reúna:
- A lista de tarefas e máquinas utilizadas, com os respetivos horários.
- O número de trabalhadores expostos e a duração habitual de cada tarefa.
- As avaliações anteriores e os registos de alterações nos equipamentos ou processos.
- A informação sobre as medidas já adotadas e os protetores auditivos disponíveis.
Agende a visita para um período representativo da atividade. Se há operações ruidosas ocasionais, assinale-as: podem não estar a decorrer no momento da visita.
Para avaliar o ruído na sua empresa, fale com a Medisigma e indique a atividade, a localização e as tarefas que suscitam dúvidas. Conheça também o nosso serviço de segurança no trabalho.
Fontes oficiais e referências
- Decreto-Lei n.º 182/2006, de 6 de setembro: exposição dos trabalhadores ao ruído, em especial os artigos 3.º a 7.º e 11.º e o anexo I.
- Medisigma: avaliação de ruído na Sofalca, com vídeo e fotografias.
Precisa de avaliar o ruído na sua empresa?
Indique a atividade, a localização e as tarefas a avaliar. A equipa Medisigma ajuda a preparar a visita e a definir o acompanhamento necessário.
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