Agentes Cancerígenos no Trabalho: O Guia de Prevenção e Novas Regras 2025
Descubra como proteger a sua empresa e trabalhadores da exposição a agentes cancerígenos. Guia atualizado com o Decreto-Lei n.º 102/2024 e o Decreto-Lei n.º 72/2025.
A exposição a agentes cancerígenos no local de trabalho continua a ser um dos maiores desafios para a Saúde e Segurança no Trabalho (SST) em Portugal. Embora muitas vezes invisível, o risco é real e as consequências podem surgir décadas após a exposição. Com a recente atualização legislativa de 2025, as empresas têm agora responsabilidades reforçadas na proteção das suas equipas.
Neste guia, explicamos o que mudou e como pode garantir um ambiente de trabalho seguro e em conformidade legal.
Índice Rápido
- O que são Agentes Cancerígenos e Mutagénicos?
- Principais Exemplos na Indústria Portuguesa
- Vias de Exposição e Consequências
- Novas Regras 2025: Decreto-Lei n.º 102/2024 e n.º 72/2025
- Medidas de Prevenção e Controlo
- Perguntas Frequentes
O que são Agentes Cancerígenos e Mutagénicos?
Agentes cancerígenos são substâncias, misturas ou processos que têm o potencial de causar cancro em seres humanos. Já os agentes mutagénicos são aqueles que podem causar alterações genéticas hereditárias.
Em 2025, o conceito foi alargado para incluir explicitamente as substâncias tóxicas para a reprodução, que podem afetar a fertilidade ou o desenvolvimento do feto. A exposição pode ocorrer de forma contínua ou ocasional, e mesmo níveis reduzidos podem representar um risco significativo a longo prazo.
Principais Exemplos na Indústria Portuguesa
Muitos destes agentes são subprodutos de atividades comuns em vários setores:
- Sílica Cristalina Respirável: Muito comum na construção civil, mineração e indústria de cerâmica.
- Fumos de Soldadura: Presentes em oficinas metalúrgicas e manutenção industrial.
- Pó de Madeira: Especialmente perigoso em carpintarias e serrações (madeiras de folhosas).
- Amianto (Asbesto): Embora proibido, continua presente em processos de demolição e reabilitação.
- Benzeno e Solventes: Utilizados na indústria química, farmacêutica e oficinas.
- Emissões de Motores Diesel: Um risco constante em logística, transportes e armazéns.
- Radiação UV: Um risco crítico para quem trabalha ao ar livre, como na agricultura e construção.
Vias de Exposição e Consequências
O risco não depende apenas da substância, mas de como o trabalhador interage com ela:
- Inalação: A via mais comum através de poeiras, fumos e vapores.
- Contacto Cutâneo: Absorção pela pele através de líquidos ou superfícies contaminadas.
- Ingestão: Frequentemente acidental, por falta de higiene rigorosa (ex: comer com mãos contaminadas).
As consequências são muitas vezes silenciosas e surgem anos depois, incluindo cancro do pulmão, mesotelioma, doenças dermatológicas e problemas reprodutivos graves.
Novas Regras 2025: Decreto-Lei n.º 102/2024 e n.º 72/2025
Portugal atualizou recentemente o seu quadro legal para reforçar a proteção dos trabalhadores:
- Decreto-Lei n.º 102/2024 (em vigor desde janeiro de 2025): Transpõe a Diretiva (UE) 2022/431, introduzindo valores-limite de exposição (VLEP) mais rigorosos para o chumbo e seus compostos.
- Decreto-Lei n.º 72/2025 (em vigor desde junho de 2025): Alarga a proteção às substâncias tóxicas para a reprodução, exigindo avaliações de risco mais detalhadas para trabalhadores em idade fértil e grávidas.
O que isto significa para a sua empresa? Significa que as avaliações de risco devem ser revistas, os protocolos de monitorização ambiental atualizados e a vigilância da saúde (exames médicos) deve ser ainda mais específica.
Medidas de Prevenção e Controlo
Seguir a hierarquia de prevenção é a única forma de mitigar estes riscos:
1. Eliminação ou Substituição
A forma mais eficaz: se possível, elimine o agente ou substitua-o por uma alternativa menos perigosa.
2. Controlo de Engenharia
- Sistemas de extração localizada (ventilação).
- Enclausuramento de processos produtores de poeiras.
- Automatização de tarefas para afastar o trabalhador da fonte.
3. Organização do Trabalho
- Limitação do número de trabalhadores expostos.
- Redução do tempo de exposição.
- Manutenção rigorosa de equipamentos e limpeza industrial profunda.
4. Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Devem ser usados como última linha de defesa, com foco em máscaras com filtros específicos, luvas de proteção química e vestuário adequado.
Dica Medisigma: A monitorização ambiental (medições de higiene industrial) é a única forma de saber se as suas medidas de engenharia estão realmente a funcionar. Não espere pela inspeção da ACT para medir a qualidade do ar.
Perguntas Frequentes
"O que devo fazer se detetar um agente cancerígeno na minha empresa?"
Deve proceder imediatamente à avaliação de riscos por técnicos qualificados, priorizar a substituição da substância e implementar medidas de confinamento ou ventilação.
"Os exames médicos são diferentes para quem está exposto?"
Sim. Os exames de Medicina do Trabalho são mais frequentes e incluem testes específicos (biomonitorização) para detetar precocemente qualquer alteração.
"Qual é o custo do incumprimento?"
Além das coimas elevadas da ACT (que podem chegar a dezenas de milhares de euros), o impacto reputacional e os custos com doenças profissionais são devastadores para qualquer organização.
Conclusão
Proteger os trabalhadores de agentes cancerígenos é uma responsabilidade ética, legal e económica. Um investimento em prevenção hoje evita tragédias humanas e custos financeiros no futuro.
Se a sua empresa lida com substâncias químicas, soldadura ou poeiras minerais, a Medidigma pode ajudar a realizar as avaliações de risco e medições necessárias.
Precisa de uma avaliação de Higiene Industrial? A nossa equipa técnica apoia na identificação e controlo de agentes químicos e cancerígenos.
- Email: dep.hst@medisigma.pt
- Telefone: 241 331 504
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